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Cabos de Vela


        Tô Bão ! 

Quando compramos o Edwaldo, ele tinha daqueles cabos de velas amarelos, com isolamento de terminais vermelhos, supressivos e horrorosos de feio, daqueles que chamam cabos de silicone, e que de silicone não tem nada, sendo no máximo EVA, se for.

Já a Faustina foi comprada com cabos que pareciam ser originais de fábrica, com 39 anos de serviço na época. Todos duros, faltando terminais, alguns somente com a alma enrolada na ponta da vela. Nem sei como ela funcionava com aquilo. Mas funcionava, ela é Jeep, lembram né?

O jogo do Edwaldo eu troquei por um jogo pé duro. Claro que a feiúra dos cabos de silicone coloridos me animaram para isso, mas o principal motivo da troca foi o medo de um deles queimar. E tenho certeza que se isso acontecesse ia ser num lugar bem ruim, longe de tudo. E queimam mesmo. Já viram a alma daquilo? O cabo supressivo, que é resistivo, é composto por uma alma de fibra com um filamento de cobre espiralado nela. Esse elemento, o filamento, mais parece um cabelinho de anjo de tão fino, muito fácil de queimar. Tive problemas com esse cabo, e por sorte foi próximo a um terminal de vela, o que deu recurso de cortar um pedacinho do cabo, refazer a ligação do terminal e colocar ele para rodar novamente.

Os cabos  comuns, que chamo de pé duro, são cabos com alma de múltiplos elementos, são impossíveis de queimar. O máximo que podem fazer, e algum probleminha nos terminais, uma oxidação por exemplo, que se refeita a ligação do terminal resolve o problema. Lembro-me que quando trabalhei na manutenção de uma grande construtora, os cabos de vela eram comprados a metro, e os terminais aos centos, montando tudo e ainda caldeando um tanto de solda branca quando necessário. Esses carros não eram Jeep's, mas seriam locados nos mais variados lugares, e quase sempre lugares inóspitos, como os que um Jeep costuma rodar.

Continuando o caso dos cabos de vela do Edwaldo, o jogo pé duro que comprei, e não lembro a marca, não tinha bons terminais de vela, que escapavam facilmente e queimavam o isolamento. Queimavam literalmente, com o calor da cerâmica das velas. O recurso dado foi fácil. Comprei 12 terminais de baquelite (baquelita) do Fusca, pois quase nasci dentro de um desses, e já conhecia os terminais de velas dele. Foi no meu Fuscão que aprendi a regular platinado e colocar motor no ponto, isso com uns 10 anos de idade. Comprei 12 terminais porque já deixei 6 reservados para a Faustina, caso precisasse.

Qual as vantagens de um cabo comum, o pé duro ? Além de ser impossível de queimar, como já dito, eles não são resistivos como os supressivos, e não "seguram" a centelha produzida pela descarga da bobina. A qualidade da centelha deles é infinitamente superior que dos cabos supressivos. Desvantagem claro que tem, pois não tem jeito de ganhar algo sem perder outro. Eles costumam dar ruídos nos rádios, seja AM, FM ou PX e PY, bem como em toca-fitas e tocadores de CD. São ruídos  da ignição, ruídos de incêndio, como falado pelos irmãos argentinos, os quais são pequenos estalos que se escuta pelos auto-falantes.

Nesse caso se encontra outra lenda. A história é a seguinte: Fui comprar um capacitor para instalar na bobina, o chamado "condensador supressivo". Ele elimina ou minimiza os ruídos da ignição, trabalhando como um filtro, amortecendo os picos de tensão. Esses picos são produzidos pela força contra-eletromotriz induzida no primário pelo secundário da bobina, quando esta tem a corrente cortada e gera o pulso de alta tensão. É um transiente, um "retorno", que se espalham pela tensão que a bateria fornece. São os mesmos transientes que são danosos ao transistor de potência da Ignição Assistida, onde já tem uma proteção prevista. Este pico de tensão não aparece somente com a Ignição Assistida, mas sim com qualquer outro sistema de ignição que faça o corte da bobina. Só sei que ao pedir a peça, o vendedor me afirmou que eu estava fazendo a coisa errada, ao contrário, pois tinha era que colocar os cabos supressivos no carro, para não ter os ruídos. Claro que não! Carro foi feito para andar, não para escutar música ou falar no rádio amador, e prá isso tem que ter a melhor centelha possível. O resto é acessório, principalmente num Jeep. Os meus Jeep's sempre rodam em lugares esquecidos, onde não tem absolutamente recurso nenhum. E gosto que rodem bem, consumindo o mínimo.

Nos cabos da Faustina dei uma grande manota. O Henrique Queiroz, filho do Sô Manoel, foi quem fez os chicotes e tudo mais na parte elétrica dela. Claro que ajudei um pouco ele, pois não poderia deixar de colocar a mão nisso. Lembro que ele me perguntou qual tipo de cabo pedir, se colocaria nela cabos supressivos, e eu distraidamente disse que sim. Até tentei ficar com esses cabos, rodando com eles uns 3.000 Km. Mas sempre achava a centelha que transmitiam muito pobre, mesmo trabalhando com uma Ignição Assistida. Animei trocar os cabos dela também, comprando um jogo Maxicabo que achei ele de boa qualidade, após uma verificada neles na própria loja. Gostei dos cabos, e inclusive dos terminais e isoladores. Na noite do dia em que comprei esse jogo, resolvi fazer um teste, aproveitando a escuridão. Troquei o cabo da bobina, e passei provisoriamente somente um cabo de vela, por fora dos suportes mesmo, pois à noite não faria um serviço direito. Comparei a centelha dele como a dos outros cabos supressivos que ainda estavam montados. Não posso negar a surpresa e a felicidade com o resultado. Fiz até um filme para guardar essa experiência, de onde extraí essas imagens ai abaixo, que estão todas na mesma escala.

A troca dos cabos da Faustina reservou uma boa ao Chico. Já tinha trocado todos os cabos, aninhado e acamado bem o comprimento deles, e dado o serviço como pronto. Só faltava testar, e para isso fui dar na chave. O Chico deitadinho embaixo da Faustina, no rumo da descarga. Disse à ele: "Cai fora dai Chico, o motor vai rodar !...", mas ele estava preguiçoso naquela hora, e nem ai. Virei o motor como prometido, e ele não pegou. Virei novamente, e deu um sinalzinho. Desconfiei de qualquer coisa estranha, pois os motores da Faustina e do Edwaldo é só bater que pegam, mas insisti no arranque da Faustina. Foi ai é que deu um tiro, junto com uma fumaceira que nunca tinha visto na descarga. Preocupei foi com o Chico, mas sem aguentar de tanto rir, pois já sabia que tinha feito a distribuição da ignição errada. Que Chico que nada. Ele já tinha sumido de onde estava. Olhei o motor e ví o 2º e 3º cabos trocados. Trocados depois do suporte mesmo, já nas velas, coisa que qualquer menino, que fosse como fui, veria na primeira olhada. Invertí os cabos e o motor funcionou direitinho. O problema ficou com o Chico, que desse dia em diante, se um motor vira e não pega, ele dá jeito de ficar longe. Se vira e pega já sabem, ele pula dentro do carro!

A conclusão da troca para os cabos comuns, é que a centelha é muito melhor com eles e a bobina agora trabalha com a temperatura bem mais baixa, pois descarrega mais rapidamente. Um leve ruído, uns estalinhos muito baixinhos podem ser notados no rádio da Faustina, em FM, mas somente quando a distância da rádio é maior e o sinal mais fraco, isso acima dos 100 Km de distância. No PX não dá nada. Já no Edwaldo, estalinho algum aparece, em coisa alguma, em hora nenhuma.

Agora vejam as sequências de imagem, das centelhas com os dois cabos de vela, onde mantive o mesmo afastamento do cabo, o que resulta no mesmo comprimento de centelha. Dai tirem suas próprias conclusões, e se quiser colocar cabos supressivos para não ter ruído em auto-falantes, ou porque acha bonitinho os coloridinhos ditos de silicone, coloquem. Afinal o carro é seu e é você que o mantém. Mas faça isso sabendo o que está fazendo, e não porque alguém falou isso ou aquilo...

Abraço à todos,

13/07/2007

          Walter Júnior - B. Hte. -

waltergjunior@uai.com.br

walter.junior@ig.com.br

 

 

 

Centelha com cabo supressivo

       

Centelha com cabo comum